O que se sente quando sem esperar e de um momento para o outro tudo desaparece?
A estabilidade dá-me tranquilidade e é assim que pretendo educar os meus filhos.
Tudo estava bem.
Tinha o meu trabalho, que sempre desempenhei com dedicação e com garra.
Tinha uma vida familiar estável e tinha os meus amigos, em especial um. Aquele amigo que sempre me apoiou e acompanhou, aquele amigo a quem ajudei e trouxe para junto de mim assim que pude.
De repente, e sem esperar, instala-se mau ambiente no trabalho. Um ambiente pesado e cheio de mistérios e segredos. Começo a reparar em mexidas no computador, nas gavetas, oiço conversas no ar e começo a questionar sem obter respostas.
O ambiente torna-se cada vez mais pesado à medida que os dias vão passando.
Nunca lidei mal em maus ambientes. Talvez seja por isso que tenham chegado ao ponto extremo de não me renovarem o contrato. Seria que o objectivo era que fossem criadas condições para que eu me sentisse mal e saísse por vontade própria? Mas a imaturidade e falta de “calo no cu” nunca lhes deu para pensar que eu sou um osso duro de roer quando me sei com a razão e que preciso do emprego porque crio sozinha dois filhos.
Das conversas que apanho no ar, fico a saber que o então Presidente e meu ex-companheiro estava a chamar os meus colegas ao seu gabinete.
Todos disseram que eu estava a passar informações à oposição, neste caso ao PSD. A acusação era simples de se fazer pois o meu namorado estava na lista candidata à Assembleia Municipal pelo PSD. Nunca fui chamada para me defender, nunca me fizeram acusações directamente e cada vez que os confrontava com o mau ambiente instalado, nunca me disseram as razões.
Deixaram de me olhar directamente nos olhos. A vida ensinou-me a interpretar os sinais emitidos pelo ser humano.
Sei agora que foram os ciúmes e uma ganância enorme de subir na vida que fizeram o meu melhor amigo unir-se ao ressabiado do meu ex-companheiro com o intuito de me prejudicarem.
Esta atitude cegou-os de tal forma que nem mediram as consequências que se farão sentir em todas as direcções. Aliado a esse ódio, destilado sobre mim por essas duas inqualificáveis personagens, surgiram ainda as palavras de um mentiroso compulsivo, que de tal forma idiota, nem se apercebe das mentiras que diz, lançadas sobre mim, aquela de quem sempre sentiram inveja e ciúmes, vá-se lá saber porquê.
Mas tão culpados são estes como a entidade máxima, que demonstra uma total ignorância tanto pela realidade como pela personalidade de quem o rodeia.
A curto prazo tudo se resolve.
O profissionalismo não tem, presentemente e para aqueles actores, qualquer valor.
É lamentável que assim seja, mas é a verdade.
Sempre me abstive de dizer seja o que for sobre a minha cidade.
Mas a crueldade que me fizeram foi tal que vou, a partir de agora, dizer tudo, mas mesmo tudo, o que penso e que sei.
Não é vingança, é justiça.
A verdade é também esta: enquanto uns colocam o nº de telemóvel de serviço nas portas das casas de banho públicas e vagueiam sozinhos à noite à espera de um telefonema e outros vivem imaginando-se com 20 anos de idade mas adormecendo com o peso da frustração, eu, todas as noites, quando deito os meus filhos, recebo um abraço terno e oiço um “amo-te muito mamã”, que me faz sentir preenchida e com a certeza de que a verdade tem que prevalecer.
7 de Agosto de 2006