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III

Os efeitos colaterais da tomada de decisão passam por saber se era verdadeiro o mundo onde eu vivia.
Se os abraços, as festas, os passeios de fim-de-semana, se os presentes e se a amizade era realmente verdadeira.
Tive inúmeras demonstrações de amizade e cumplicidade. Amigos de uma vida com quem partilhamos tudo e de quem não nos conseguimos separar. Amigos daqueles que nos agradecem por eu ter melhorado o relacionamento deles com esta ou aquela pessoa. Amigos que nos confiam segredos que guardamos mesmo quando nos traem. Amigos que pensamos serem verdadeiros quando lhes confidenciamos as nossa fragilidades. Amigos a quem ajudamos sem querer nada em troca.
Quando decidi destruir o castelo de cristal dei-me conta que os estilhaços dos vidros que caíam como facas sobre o meu peito eram as traições e o virar de costas daqueles que sempre imaginei serem meu amigos.
Bastou eu decidir para que logo me censurassem e criticassem.
Bastou ausentar-me uma semana de férias para que influenciassem aquele que eu tinha mais próximo e tê-lo do outro lado da barricada, prepará-lo e enfurecê-lo como se faz aos touros na arena para que se desse inicio a uma guerra injusta que eu nunca lutei ou quis lutar.
Uma guerra injusta porque nunca tive forma de me defender e até mesmo aqueles que me podiam defender, pois conhecem a minha personalidade e forma de ser, nunca o fizeram.
Estas demonstrações de mesquinhez e falta de carácter não mudaram a minha maneira de ser. Mudaram sim a minha forma de estar perante determinadas situações.
Fizeram-me crescer como pessoa e é um sentimento agradável saber-me bem diferente deles. Mesmo quando lidávamos critiquei determinadas situações. Por exemplo, nunca tolerei que se falasse mal desta ou daquela pessoa na minha frente. Por ser assim chamavam-me convencida. Mas era convencida mesmo que eu estava de que eles faziam isso quando eu virava as costas.
Cada vez mais acredito que o facto de me livrar desse castelo para sempre faz de mim uma melhor pessoa, livre desse veneno que mina os ouvidos e tapa os olhos àqueles que nele vivem.

31 de Julho de 2006