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XII

Não creio que alguma vez na vida tenha queimado tantos papéis.

Ultimamente tenho usado algum do pouco tempo livre de que disponho, para ver gavetas onde, ao longo do anos, tenho juntado papéis que nunca quis deitar fora por julgar alguma vez vir a necessitar deles.
Papéis que se vão acumulando ao longo dos tempos.
Ontem, acendi a lareira enquanto os pequenos faziam os trabalhos de casa.
Como tinha algum tempo, pois cheguei relativamente cedo a casa, e ainda antes de me preocupar com o jantar decidi, ao olhar para aquele fogo recém aceso, que estava na altura de queimar alguns papéis.
Fui buscar duas gavetas e deitei no chão na sala aquela papelada toda.
Recibos, facturas, receitas de culinária, instruções de electrodomésticos, moradas e números de telefone que não faço ideia de quem sejam. Estes arrumeio-os numa das gavetas que estava agora vazia.
Encontrei também recordações, momentos, episódios, esquissos e resquicios de uma vida que já passou.
Cartas, despachos e deliberações.
Sentada no chão vi-me rodeada por demonstrações de verdade das mentiras que se contaram, algumas que se contam ainda, muitas verdades que ficaram por contar.
"Que faço com tudo isto?", pensei.
Sem hesitar rasguei tudo e deitei para a lareira. Fiquei alguns minutos a ver o fogo apagar aqueles momentos.
Joguei para trás das costas qualquer sentimento de revolta ou mágoa que ainda pudesse existir.
Assim coloquei um ponto final num assunto que julguei já estar encerrado pois não me recordava que ainda existiam papéis que muito demonstravam.
Com esta atitude senti um impulso enorme de ter evoluído bastante interiormente.

13 de Fevereiro de 2007

Comments

Terias evoluído ainda mais caso tivesses reciclado muito bem esses papéis...

Evoluías Tu, o Mundo, o Meio Ambiente,...

Ficavas também com uma sensação de bom estar e de dever comprido por voltar a dar utilidade e uma nova vida a esses "momentos".

Para a próxima... Não te esqueças...

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