Amo-te...
...não deveria ter hífen para ser uma palavra inteira como o que sinto por ti.
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...não deveria ter hífen para ser uma palavra inteira como o que sinto por ti.
...mais uma semana.
...é dia de "La Balsa de Piedra".
...rendida à Fotografia.
...hoje sinto-me melhor lá no outro lado.
...para lhe atribuir uma música.
Bom dia!
...ir à janela cheirar a noite apetece-me levar o arrepio na pele para os lençóis.
...abate-se sobre a minha vida uma incógnita.
Será que dá? será que não dá?
O sinal que aparece é fraco, sem garantias de sucesso.
A luz acende, o ícon surge mas as poucas tentativas que faço quase não surtem efeito.
Pensei que fosse pior quando este dia chegasse.
Não me perturba minimamente.
O telemóvel avariou e não estou nada preocupada.
A dúvida agora é: quando comprar?
Hoje, amanhã, daqui a um mês, no próximo ano... quem sabe.
O que eu tenho certo é que não me afecta o dia a dia e muito menos o estado de espírito.
Esta semana entro mais cedo pelo que a rotina começa uma hora antes do habitual.
Saio de casa ainda as crianças dormem tranquilas nas suas camas.
Fecho a porta e olho para o ceu. Está fechado num tom de azul que gosto particularmente.
Olho para o carro e mais uma vez opto por ir a pé.
A vizinha da frente com as janelas abertas deixa passar a voz de Brian Ferry em Slave to love.
Molhadas, as pedras da calçadas revelam uma noite húmida.
Ao me aproximar do centro da cidade vejo o frenezim do regresso às aulas.
O brilho nos olhos das crianças, os reencontros, os adolescentes com as roupas de marcas novinhas em folha, o ar pesado dos pais.
No meu MP3 começa Desire de Ryan Adams.
Respiro fundo, levanto o som.
Este é o meu ritmo, longe daquele que se vive na minha cidade.
...é diferente.
Gosto de abrir a porta e as janelas, sacudir os tapetes e fazer entrar o ar.
Não é preciso sequer escrever, basta-me entrar e olhar para umas linhas, recentes ou antigas.
Sinto aqui um conforto diferente.
É como se esta fosse a casa de campo, rodeada de largas searas de trigo num vale onde a água se ouve correr lá longe.
Na casa da cidade o peso é diferente. Tem várias janelas com cortinados de linho que por vezes gosto de abrir e deixar entrar o pouco ar que por lá se respira.
...vir aqui, espreguiçar-me, respirar fundo e sentir a leveza do ar.
...é tão especial.
Um recanto onde gosto de me esconder.
Tão meu.
Só meu.

Foto: Vitaly Tron